A contratação de serviços de engenharia clínica pelo setor público passa necessariamente por processo licitatório. O Termo de Referência (TR) é o documento que define o objeto da contratação — e é onde as falhas mais custosas acontecem.
Um TR mal elaborado pode resultar em impugnação do processo, contratação de empresa sem capacidade técnica real, dificuldade na fiscalização e questionamento em auditoria do TCU. Um TR bem estruturado protege o gestor e garante que o serviço entregue o que a unidade realmente precisa.
O que o TR de engenharia clínica deve conter
1. Definição clara do objeto
Não basta dizer “prestação de serviços de engenharia clínica”. O TR deve detalhar o escopo: inventário, manutenção preventiva, manutenção corretiva, calibração, gerenciamento de tecnologia, relatórios — cada serviço com escopo mínimo.
2. Parque tecnológico coberto
Quantos equipamentos estão no escopo, de quais categorias e em quantas unidades. Essa informação define o dimensionamento da equipe técnica a ser contratada.
3. Requisitos de qualificação técnica
- Registro no CREA ou CRBio como pessoa jurídica
- Responsável técnico habilitado (biomédico ou engenheiro clínico)
- Atestado de capacidade técnica em contratos similares
- Referência à RDC 509/2021 como base normativa
4. Entregáveis mínimos por serviço
Para cada serviço, o TR deve definir o que será entregue, com que periodicidade e em qual formato — inventário em planilha com campos mínimos, ordem de serviço por equipamento, certificados de calibração de laboratório credenciado, modelo mínimo de relatório mensal.
5. Indicadores de nível de serviço
- Disponibilidade mínima de equipamentos críticos: 95%
- Tempo máximo de atendimento corretivo em suporte de vida: 4 horas
- Percentual mínimo de preventivas no prazo: 90%
6. Base legal
Referenciar explicitamente RDC 509/2021, ABNT NBR 15943, CFM 1.821/2007 e Lei 8.080/1990. Isso demonstra que o contratante conhece as exigências regulatórias.
7. Forma de fiscalização e sanções
Como o fiscal avaliará a execução — relatórios, visitas técnicas, sistema de chamados — e quais penalidades por descumprimento, com base na Lei 14.133/2021.
Erros comuns em TRs
- Especificar marca ou modelo de software de gestão (gera impugnação)
- Não definir nível de serviço para corretiva (impossibilita fiscalização real)
- Não exigir responsável técnico com registro profissional
- Não listar o parque tecnológico que será atendido
- Copiar TR de licitação de manutenção predial
A maqmedical oferece consultoria para elaboração de Termos de Referência de engenharia clínica.
Solicitar avaliação técnica →