O Plano de Gerenciamento de Tecnologia em Saúde (PGTS) é o documento central do programa de engenharia clínica de qualquer estabelecimento de saúde. Exigido pela RDC 509/2021, ele formaliza as políticas, os procedimentos e o cronograma de todas as atividades relacionadas ao ciclo de vida dos equipamentos médicos.
Na prática, o PGTS é o que garante que o gerenciamento de equipamentos seja feito de forma planejada, rastreável e auditável — não de forma reativa, apagando incêndios quando o equipamento já parou.
Quem deve elaborar o PGTS
A RDC 509/2021 exige que o PGTS seja elaborado e gerenciado por um responsável técnico qualificado — em geral o biomédico ou engenheiro clínico da unidade. Em unidades que terceirizam os serviços, a empresa contratada assume essa responsabilidade como parte do escopo do contrato.
O que o PGTS deve conter
- Escopo e abrangência: quais equipamentos são cobertos pelo plano, idealmente todos, com priorização por criticidade clínica.
- Inventário de equipamentos: lista completa com número de série, fabricante, modelo, data de aquisição, localização e estado.
- Critérios de criticidade: classificação por nível de risco clínico — equipamentos de suporte de vida recebem prioridade máxima.
- Cronograma de manutenção preventiva anual com base nas recomendações do fabricante e na ABNT NBR 15943.
- Protocolos de manutenção corretiva: fluxo de notificação, diagnóstico, reparo e retorno ao uso.
- Plano de calibração: quais equipamentos, com qual frequência e por qual laboratório.
- Procedimentos operacionais (POPs) para equipamentos críticos.
- Indicadores de desempenho: disponibilidade, MTBF, MTTR e percentual de preventivas no prazo.
- Responsabilidades: quem faz o quê — responsável técnico, equipe, operadores, gestão.
- Revisões e atualizações com periodicidade definida — normalmente anual.
Erros mais comuns na elaboração
- PGTS genérico, copiado de outra unidade sem adaptação ao parque tecnológico real.
- Cronograma que não considera a rotina assistencial e compromete a disponibilidade de equipamentos críticos.
- Falta de rastreabilidade da execução: o plano existe no papel, mas as ordens de serviço não são registradas.
- Indicadores definidos sem acompanhamento periódico.
Como o PGTS se relaciona com outros documentos
O PGTS é o documento-pai que orienta todos os outros registros do programa: as ordens de serviço registram a execução das intervenções, os certificados de calibração comprovam o cumprimento do plano, os relatórios mensais consolidam os indicadores e a documentação de auditoria é montada a partir desse conjunto.
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